As pessoas estão acostumadas a fingir que sabem se virar sozinhas por medovergonhareceio de pedir ajuda. Por isso que eu gosto de criança: gente pequenininha que tem a humildade de admitir que não sabe nada mesmo, pois chegou no mundo com ele já pronto, cheio de regras e convenções. E aí criança inventa uma brincadeira e passa a infância brincando que sabe como lidar perante tudo na vida, imitando os adultos - os que "sabem". Quero ser assim pra sempre.
domingo, 20 de março de 2011
Trancada em mim
Pra poder dizer que eu sei de tudo
Mas sou do tamanho da vontade de aprender
E dizer o que aprendi pra todo mundo
Naqueles dias que dá tudo errado
A chave pra minha cabeça não condiz com o cadeado
Naqueles dias que o céu tá nublado
A chave pra minha cabeça não condiz com o cadeado
E cada vez que perco a chave, eu enloqueço
E rascunho feito louca um novo começo
E assim, trancada em mim é como eu sigo
Pela estrada que eu desenhei procurando abrigo
Eu quero conseguir fazer uma canção capaz
De a mais inquieta criatura adormecer
Fazer meu espírito inquieto achar a paz
Me sonhar pra no real me acontecer
domingo, 6 de março de 2011
DOLOR.
Le pido al sol que vendrá,
Y le pido a todos los dioses
Que me hagan parar de llorar
Que ya no aguento más
No hay razones para lágrimas
Pero ellas siguen a caer
Y son água en exceso
Que yo no supe dónde poner
Les pido a todos
Sálvenme, sálvenme, por favor,
Sálvenme de mí.
Y sálvenme de pronto,
Que quiero tan luego
Volver a reír.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Poema grande à uma história pequena.
"Viu uns olhos verdes, verdes
Uns olhos da cor do mar:
Eram verdes sem espr'ança,
Davam amor sem amar!"
(Gonçalves Dias)
Fui olhar pela janela, Vi confete pelo chão Meu pensamento como fera Foi buscar inspiração Logo então saí às ruas Evitando a multidão E um olhar belo como a lua Fez chamar minha atenção
Talvez fosse ele próprio Ou alguém muito semelhante Ao tal menino-olho-ópio Que marcou minh’alma errante
Já fazia tanto tempo Que seria até maldade Começar mais um lamento, Me arrancar da liberdade Pois já me havia decido Em condená-lo ao passado (Melhor seria não ter ido Que pensar em ter ficado?). Quis só esquecer de tudo, Me livrar de todo o mal, Estar ao lado de um sonho Só enquanto é carnaval
Mas não estive pois não quis E nem pude ter certeza Se aqueles olhos vis Tinham mesmo a beleza
Dos tais olhos que um dia Me disseram sem pudor Que meu olho só sabia De não amar ao dar amor.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Oferenda
E lancei-o ao mar
Bem em meio a uma corrente
Que não o deixe mais voltar
Está lá, preso
Na estreita teia das lembranças
Ansioso por outro começo,
Cheio de tolas esperanças
Deixo o luar se confundir
Com a própria lua
Deixo também a história
Onde sou somente tua
E que o vento a leve, enfim
Por todo canto em que ele passar
O abraço, quero pra mim
"Para sempre", deixo pra lá
Deixo meu coração em um baú
Escondido no fundo do mar
E para encontrar o dito tesouro
Há que ser nobre como a filha de Iemanjá.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Ri, mar! (ou "Poeminha pra Janette")
E achei-o remédio melhor que rir
Apesar do tanto insistir
Do velho dito popular
Eis que veio sem avisar
O ensinamento da atriz
Que eu, uma simples aprendiz
Vim, de bom grado, a acatar
Disse-me ela uma verdade
Que eu me esqueci que já conhecia:
A verdadeira felicidade
Se encontra mesmo é na poesia
O melhor remédio não é rir
O melhor remédio não é o mar
O melhor remédio é conseguir,
Mesmo aos tropeços, poetizar.
sábado, 1 de janeiro de 2011
3001 é poesia
Que rima com ano de formatura
Que rima com despedida
Que rima com valorizar o passado
Que rima com lembrar de muita história
Que rima com querer ter mais histórias pra lembrar
Que rima com fazer o presente valer à pena
Que rima com separar um tempo pra estudar
Que rima com levar o vestibular a sério
Que rima com pensar no futuro
Que rima com planejamento
Que rima com organizar a formatura
Que rima com 3001
Porque 3001 é poesia
E poesia rima com 2011
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Soneto da flor
Depois da Dor, o Ano
Depois do Ano, o que era para ser meu
Era pra ser, mas devido à minha falha,
Ali não me pertenceu
E aí então, as lágrimas
E aí então compreendi
Que tudo veio justamente
No tempo em que mereci
Vê-los ali, orgulhosos de si,
Sobre um palco que tantas vezes fora meu...
Inevitável querer marcar aquela noite em mim
Não como outra noite triste,
De arrependimento, de lágrima e breu
Mas noite de flor, de tudo ao seu tempo, noite de "agora sim".